Que sangra a pele
Do cardio
Que se fere
Da noite escura
O desejo
De queimar-se por dentro
E por inteiro
Até que vire cinzas
Esse ser desolado
Entregue ao vento
À sina
Do morrer inevitável
Puro fogo, vento e fumaça
O ser se transforma
Em morte se enche de graça
Se olha no espelho
Se reflete de luz
No fundo dos olhos castanhos negros e azuis
Se vê de verdade
Vê entre o peito
Escorrer do Sol
O Amor liquefeito
Onde anjos se banham
Em nua beleza
O morto se torna
A luz das estrelas
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