domingo, 11 de dezembro de 2016

O Muro

Tão perdido
Caminhava sobre pedras velhas de uma rua cinza
Eis que era vivo
E tão vivo
Mas tão morto caminhava

Cego, vendado
Com olhos cortados
Só olhava para trás
Sonhava em deslumbrar alguém
Do lado

Mas sempre
Do lado errado
Do muro
Do lado escuro
Do lado no nada
Do lado de fora
Da pele
Marcada
Para um feriado em dia de domingo

Eis que era vivo
Mas a vida...

A vida o abandonara

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Distorção

Será que é sangue
Será que é carne
Será que são miolos cinzentos
Quem é
Quem é

Que dirige o volante
Que se reflete no espelho
Será?
Será isso?
São suas mãos no rosto?
São suas lagrimas nos olhos?

Quem está fingindo ser real?
Quem esta brincando de ser você?

sábado, 19 de março de 2016

O Insatisfeito Dono do Corpo

Se teu batom me mancha
Mas teu olhar ainda me lança
Frieza
De que me adianta ter tua carne
Se me arranha como vento seco
Não te quero distante
Quero que queira a mim

Mesmo que você não queira

E se apresse
Pois toda sua negação
Não se difere
de um sim.

sexta-feira, 11 de março de 2016

A poesia que existe em mim (Imagem por Ary Lieberwirth)

Joguei meus versos
Em desesperar
No ínfimo do infinto
Como se fosse no mar


Como se fosse isca
Meu verso de mim
Eu procuro a poesia
Em meu sangue carmim

A Cor Dando (Imagem por Ary Lieberwirth)

Por que é bela a cor que não se vê
Que queima a carne
Enquanto os olhos correm as linhas
Dos versos que se lê

Porque a cor mais vermelha
Só na pele
É vista
E se assemelha aos sóis que se põe no verão
Quando ficamos a sós
E nossa cor tão mista
Derrama-se pelo chão
Percorre o mundo
Colore o tudo
Que antes não parecia ser nada de mais


Me dizem (Imagem por Ary Lieberwirth)

Me dizem pra dizer:
O que sinto.
Mas não pode ser.
Pois se falo, minto.
Então só posso crer
que o que sinto
não dá pra dizer



Somethimes



O coração espasma
         Brilha plasma
          Anda a esmo
             No mesmo
As vezes
                    Verso
Por você

quarta-feira, 9 de março de 2016

Versá-lhe

Em tuas veias correm flores
Que sobem aos teus olhos

Em teu rosto escorre pétalas
Que chegam vermelhas à boca

Em meu pincel
estão suas cores
Em meus pés
teus atalhos

E tuas lágrimas
Vou versá-las
Até me cobrirem de tinta
e me tirarem a roupa