sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Chorosa e Seco


Que me beija em prantos
E afaga-me um tanto
Que lágrimas lhe lavem
Que os abraços lhe calem
E rompam as represas
De mil e milhões de mares
Antes sólidas por eras e eras
Não as dos seus olhos, que já se romperam muito em sua vida
Mas as dos meus secos olhos
Afogados em seu desespero.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Feras

Feras sozinhas
Feras raivosas
Feras humanas
Feras medrosas
Feras feridas
Feras ferradas
Feras LIVRES e aprisionadas
Feras tristes
E felicidade
Nossa fericidade
É nossa fome
Na cidades
Onde ninguém come
Fera seremos
Até que um dia
A gente some

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Funeral

Me deparo então, com a morte
Pois agora, de frente pro morto
Carregante de um corte
Insangrante e exposto

Questiono
Se não sangras nem andas
Se não fala ou pensa
Por que esse corpo, cortado e tão morto,
Ainda se atreve a bater em meu peito?

Rotina

Cansado
De versos
Aversivos
De noites apoéticas
Que duram milhares de milhares de incontáveis segundos
Desperdiçados
Com solidão
De sons
Que não fazem música
De músicas
Tocadas em vão
Palavras
Que não tocam ninguém
Do essencial à vida

Que tanto se vive sem