Sopram
Sons de ferro
Ao ouvido de mortos
Erguem-se montanhas, tapando o azul celeste
Queima-se o ar
Tudo que é vivo
Há de queimar
Também
Ouvi ferro em cadáveres
Pulsando, trincado desesperado
Ouvi pedra
Fria e mórbida
Atravessada pela angustia
Viver, sofrer. Cada batida do coração, dói como um tapa na cara
Como se tapas ainda doessem.
Como se o orgulho não aliviasse
A capacidade de sentir qualquer coisa
Eu vejo óleo derramado nas estradas
Eu vejo mercúrio escorrendo nos campos de guerra
Eu vejo
Coisas
E meus olhos imploram pelo escuro
Para que nunca mais vejam essa triste escuridão
Dias Ebraico
Nenhum comentário:
Postar um comentário